Dois anos depois — e ele continua aqui 🤍
Hoje faz um ano desde que escrevi “Um ano de Saudade…”.
E se eu achava que a saudade era uma coisa que se aprende a suportar, hoje percebo melhor: a saudade não passa — muda de lugar.
Já não é só aquela dor mais viva que me cortava por dentro.
Agora é uma presença silenciosa que anda comigo.
Está nos dias bons e nos dias difíceis. Está nos momentos em que eu queria pegar no telefone e contar-lhe alguma coisa. Está nos instantes em que a vida me pede força — e eu, sem perceber como, encontro-a.
Porque a verdade é esta: o meu pai continua aqui.
Eu sinto-o todos os dias.
Sinto-o nos conselhos que ainda ouço dentro de mim, como se a voz dele tivesse ficado guardada num lugar seguro do meu peito.
Sinto-o nas maneiras de ser dos netos e dos filhos — nos gestos, nas expressões, em pequenos detalhes que às vezes me fazem sorrir… e outras vezes me deixam com o nó na garganta.
A saudade dói por ele não estar connosco fisicamente.
Dói porque o amor não diminuiu.
Dói porque, mesmo passando o tempo, continuam a existir coisas que eu queria partilhar: conquistas, dúvidas, medos, alegrias simples.
E dói pensar que a vida seguiu, enquanto eu ainda o procuro em certos momentos, como se o coração recusasse aceitar que há uma cadeira vazia.
Mas há também uma aprendizagem bonita — embora seja uma aprendizagem à força:
o amor não morre.
Muda de forma, muda de lugar… mas não desaparece.
O meu pai vive em nós.
Vive na família que ele ajudou a construir.
Vive nas histórias que repetimos à mesa.
Vive nos valores que ficaram, mesmo quando ninguém os diz em voz alta.
Vive no amor que nos ensinou — e que hoje tentamos devolver ao mundo.
A vida continua, sim.
Mas não continua “sem ele”.
Continua com ele sempre presente — dentro de mim, dentro de nós. 🤍
E se me perguntarem como se vive com a saudade…
eu respondo: vive-se um dia de cada vez,
com amor, com memória,
e com a certeza de que algumas pessoas não vão embora — ficam.
🤍 Pai… obrigada. Sempre.
(Fotografia de SoLu@)